Fatores de Risco

Muitas vezes, é difícil entender os motivos pelos quais algumas pessoas desenvolvem câncer e outras não. Isto é devido a uma complexa interação entre fatores que protegem o organismo contra o câncer e fatores que induzem a formação do câncer. Estes últimos são denominados fatores de risco, pois aumentam o risco de um indivíduo ter câncer, uma vez que o indivíduo está exposto a eles no seu dia a dia. 

De maneira geral, os fatores de risco para os principais tipos de câncer são: envelhecimento, tabagismo, exposição à radiação solar (ou radiação UV), radiação, consumo excessivo de álcool, infecção por alguns vírus e bactérias, alguns produtos químicos, alguns hormônios, herança familiar genética, obesidade, dieta inadequada e sedentarismo.Alguns destes fatores podem ser modificados, ou seja, são causas evitáveis (ex: excesso de peso), enquanto outros não (herança familiar e envelhecimento). Durante um longo período de nossas vidas, um conjunto de fatores de risco atua simultaneamente ou em diferentes períodos de tempo para aumentar o nosso risco de desenvolver um câncer. Estima-se que se eliminarmos o consumo de cigarro, investirmos na manutenção de um peso ideal, na prática de uma atividade física regular e em uma alimentação equilibrada, seja possível reduzir em 30% os casos de câncer na população. Também é importante sabermos que nem tudo causa câncer. 

Idade: podem ser necessários muitos anos entre o surgimento de uma célula maligna e a formação de um tumor. É por isso que a maioria das pessoas é diagnosticada com câncer em idade mais avançada (65 anos ou mais). Entretanto, o câncer não é uma doença exclusivamente dessa faixa etária - ele pode ser diagnosticado em qualquer idade. 

Histórico familiar: a menor parte dos tumores malignos acontece devido a uma condição hereditária. Se o câncer é comum em uma família, é possível que as mutações estejam sendo passadas de geração em geração. Neste caso, aconselha-se o teste genético para ver se o paciente tem mutações que podem aumentar o risco de certos tipos de câncer hereditário. Todavia, é importante lembrar que ter uma mutação genética herdada não significa necessariamente que o indivíduo vai desenvolver o câncer. 

Fatores ambientais: o ambiente ao seu redor pode conter substâncias químicas nocivas que podem aumentar o risco de câncer. Mesmo quem não fuma pode inalar a fumaça produzida por fumantes, o chamado fumo passivo. Produtos químicos em casa ou no local de trabalho, como o amianto e o benzeno, também estão associados com um risco aumentado de câncer, assim como a poluição excessiva dos grandes centros urbanos. 

Tabagismo: além de provocar o câncer, aumenta as chances de adquirir outras doenças. A exposição dos fumantes passivos à fumaça de cigarro também aumenta o risco de desenvolvimento de neoplasias malignas. Os principais tipos de câncer relacionados ao cigarro são de pulmão, laringe, faringe, bexiga, boca, esôfago, colo do útero e estômago. Parar de fumar diminui o risco, mesmo que o indivíduo já tenha fumado por muitos anos. Mesmo os pacientes com câncer, parar de fumar melhora o prognóstico em alguns casos e diminui o risco de desenvolver um segundo tipo de câncer. Hoje em dia, existem diversos programas de interrupção do tabagismo, sejam em instituições públicas ou privadas. 

Bactérias e vírus: certos germes, como bactérias e vírus, podem aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Por exemplo, alguns subtipos de vírus HPV (HPV 16 e 18) aumentam o risco de câncer do colo do útero em mulheres. A hepatite crônica pelos vírus da hepatite B e C aumenta o risco de câncer de fígado, o hepatocarcinoma. A infecção crônica pela bactéria Helicobacter Pylori aumenta o risco de câncer de estômago e linfoma no estômago. 

Alimentação e consumo de álcool: em relação aos alimentos e dieta, os médicos, geralmente, recomendam uma dieta balanceada, manter o peso e não consumir álcool em excesso. Não existe uma dose segura de álcool em relação ao risco de câncer. Em relação à dieta, recomendam-se diminuir os alimentos ricos em gordura (principalmente frituras e carne vermelha), alimentos conservados no sal e defumados. Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o consumo de carne processada - como bacon, salsichas e presunto - causa câncer. Segundo o documento, 50 gramas de carne processada por dia, o equivalente a duas fatias de bacon, aumentam a chance de desenvolver câncer colorretal em 18%. 
O sedentarismo também está relacionado a uma maior ocorrência de casos de câncer em relação aos indivíduos que praticam atividade física regularmente. A obesidade também já considerada fator de risco para alguns tipos de câncer, como o câncer colorretal (cólon e reto).

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