Cateter para Quimioterapia (Port)

O que é cateter para quimioterapia?

O cateter utilizado para quimioterapia é também conhecido como cateter totalmente implantável ou PORT. Existem vários modelos e marcas disponíveis no mercado. Consiste em um dispositivo composto por um cateter longo que fica posicionado dentro de uma veia de grande calibre ligado a um reservatório localizado abaixo da pele, onde será realizada a punção e infusão da medicação. Eles são feitos em diversos diâmetros e comprimentos e de diferentes tipos de materiais.

cateter quimioterapia port

reservatório

cateter

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Alguns modelos de catéteres totalmente implantáveis disponíveis no mercado

Para que serve o cateter para quimioterapia?

Trata-se de um cateter especial utilizado frequentemente por pacientes em tratamento de câncer através de quimioterapia. O seu uso é indicado quando uma pessoa precisa receber infusões regulares com drogas quimioterápicas. Esses medicamentos são tóxicos para as veias periféricas (veias dos braços e pernas) que acabam fibrosando, não podendo ser utilizadas em sessões posteriores. Dessa forma, o paciente vai perdendo suas veias e a cada dia de quimioterapia há grande sofrimento para punção de novos acessos venosos. O cateter totalmente implantado facilita esse trabalho sem que o paciente precise tomar várias agulhadas. Além disso, alguns tipos de drogas quimioterápicas geram dor quando infundidas nas veias periféricas.

cateter quimioterapia port
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cateter

pele

agulha para punção

local da punção

reservatório

veia

Figura 1: desenho esquemático do posicionamento do cateter no tórax. Figura 2: desenho esquemático de uma punção do reservatório localizado no subcutâneo.

Quem precisa do cateter?

• Indicação pelo médico oncologista: está visando segurança e qualidade para infusão de medicamentos durante seu tratamento. Essa indicação varia de acordo com as condições de acesso venoso do paciente e do protocolo de quimioterapia a ser implantado.

•  Pacientes que evoluem com perda das veias nos braços podem ter dificuldade para realização das sessões de quimioterapia e precisam do cateter para infusão das drogas.

• Algumas drogas são perigosas para infusão em veias finas nos braços e por isso devem ser infundidas preferencialmente em veias mais calibrosas através do cateter.

• Paciente que serão submetidos a tratamentos superiores a 6 meses também se beneficiam.

• Certos pacientes são submetidos ao implante por desejo próprio com o intuito de serem poupados

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Cateter de paciente puncionado para infusão de quimioterapia

Quais são as vantagens do cateter?

• Durabilidade longa (até 2000 punções). O paciente pode ficar com o cateter por muitos anos.
• Baixa taxa de infecção.
• Evita punções frequentes no braços.
• Conforto e mobilidade.
• Dispensa uso de curativos.
• Maior eficácia do tratamento, uma vez que não ocorrem episódios frequentes de inflamação das veias (flebites), trombose venosa e complicações relacionadas ao extravasamento da droga em veias finas nos braços.

Como o cateter é instalado?

O procedimento é realizado sob anestesia local com sedação e não há necessidade do paciente permanecer internado no hospital, recebendo alta para casa poucas horas depois da instalação. 

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Material utilizado para a punção e instalação do cateter

A técnica consiste na punção de uma veia profunda calibrosa na região do pescoço (a mais utilizada é a veia jugular interna do lado direito) através de referências anatômicas conhecidas pelo cirurgião, sempre com um auxílio de ultrassom para visualização direta da veia e realização da punção com baixíssimo risco de complicação. Em seguida é realizada a passagem de um fio guia e um dilatador pelo qual é introduzido o cateter. 

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Figura 1: punção de veia central guiada por ultrassom. Figura 2: imagem de ultrassom com visualização dos vasos

Seu posicionamento é conferido através de exame de raio-X realizado durante o procedimento com um aparelho denominado intensificador de imagem ou radioscopia. Figura abaixo.

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Figura 1: passagem de dilatador para introdução do cateter na veia profunda.  Figura 2: visualização do cateter pela radioscopia

A etapa seguinte consiste na realização de uma pequena incisão (de cerca de 3 cm) abaixo da clavícula onde é criado um espaço entre a pele e o músculo da região peitoral. O reservatório do cateter é introduzido neste espaço e fixado com pontos para que não corra o risco de girar. O cateter é testado na posição que será utilizado, a incisão é então fechada e o sistema do cateter heparinizado, cuidado que deve ser tomado ao fim de cada utilização ou a cada 30 dias caso o mesmo não esteja sendo utilizado para evitar a obstrução por coágulos. 

O sucesso do procedimento e o bom funcionamento do cateter posteriormente estão relacionados à realização por cirurgião capacitado e especializado neste tipo de implante, treinado em punções vasculares guiadas por ultrassom e habituados à manipulação deste tipo de cateter.

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Figura 1: radiografia de tórax mostrando cateter posicionado em hemitórax esquerdo. Figura 2: aspecto final de paciente com cateter totalmente impalntável em hemitórax direito.

Quais são os riscos e complicações do implante do cateter?

Como todo procedimento cirúrgico, o implante de cateter apresenta potenciais complicações, apesar de um incidência muita baixa quando realizado por cirurgião experiente e habituado com este tipo de procedimento. As complicações são relacionadas a alguns aspectos:

  • Punção vascular e implante do cateter: o uso do ultrassom diminui muito a incidência ​

    • hematomas decorrentes da punção

    • pneumotórax: consiste no acúmulo de ar na pleura em decorrência de lesão do pulmão pela agulha no ato da punção. O uso do ultrassom praticamente elimina o risco.

    • infecção: desde que o procedimento seja realizado em condições rigorosas de antissepsia associado ao uso de antibiótico profilático, o risco de infecção do cateter é bem baixo.

  • Uso do cateter: as complicações estão relacionadas às punções nas sessões de quimioterapia. Quando o cateter é manipulado por equipe de enfermagem experiente e rigorosa com os cuidados na punção, os riscos relacionados a punção reduzem muito. São elas:

    • punções inadequadas e extravasamento de drogas para a pele e subcutâneo​

    • infecção tardia 

  • Mal funcionamento:

    • Giro do reservatório e mudança de posição: a devida fixação do reservatório da loja de implante, minimiza os riscos de girar ou sair da posição.

    • Entupimento do cateter: é importante que a manutenção do cateter seja realizada de forma regular para evitar que trombos dentro do cateter causem sua obstrução. A necessidade de heparinização ou salinização do sistema depende da marca, modelo e intervalos sem utilização do mesmo.

    • Dobra do cateter: se o implante não for tecnicamente adequado, o cateter por "acotovelar" e impedir o fluxo da medicação através do mesmo.

  • Presença do cateter na veia: 

    • Trombose venosa; sabe-se que todo paciente oncológico tem predisposição maior ao desenvolvimento de trombose venosa que associada à presença do cateter no interior da veia, eleva os risco de desenvolver um trombo. Caso isso ocorra, a conduta é utilização de anticoagulantes e, na maioria nos casos, o cateter pode ser mantido. 

Dúvidas mais Frequentes

Quem tem acesso ao cateter para realização de quimioterapia?

Os pacientes em tratamento quimioterápico através de planos de saúde tem cobertura para o custo hospitalar englobando o custo do cateter e a internação hospitalar. Geralmente são encaminhados pelo médico oncologista ao cirurgião quando há indicação ou desejo do paciente. Pacientes em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem o acesso ao cateter através do hospital onde fazem tratamento. Infelizmente, nem todos tem acesso pois a disponibilidade depende do protocolo de tratamento. Pacientes que estejam em tratamento pelo SUS com dificuldade de punção de veias  ou que desejam implantar um cateter para conforto,  podem procurar um médico na rede privada particular onde é possível realizar o procedimento com preços acessíveis.

É necessário uso de curativos para proteger meu cateter?
Apenas após o procedimento de colocação, até cicatrização do corte normalmente, de 3 a 5 dias. E também durante a infusão e após a retirada da agulha.

Devo evitar atividades físicas?
Inicialmente sim, após o implante, por cerca de 10 dias, até cicatrização parcial. Posteriormente, depende da atividade. Orientamos que sejam evitadas aquelas com risco de impacto direito que possam causar traumas como jogos com bola e lutas.
 

Devo evitar alguma posição para dormir?
Sim. Nos primeiros 15 dias deve-se evitar dormir sobre o lado do implante do cateter até sua cicatrização pelo risco de se movimentar ou girar.
 

Devo evitar certos tipos de roupas?
No dia a dia não há necessidade. Porém no dia da punção do seu cateter, é recomendável o uso de camisas ou camisetas de gola aberta.
 

Quanto tempo ficarei com o cateter?  
A permanência do cateter será durante o tratamento. Alguns médicos optam por deixar o cateter por um tempo mais prolongado, durante o seguimento inicial, para depois indicar a retirada com segurança. Converse com ele a respeito. 
 

É necessário algum cuidado após o término do tratamento quimioterápico?
Sim, enquanto seu médico não liberar a retirada do cateter, deve ser realizada manutenção mensal (a cada 30 dias), que é a lavagem do cateter com solução salina ou de heparina. Isso impede que o cateter sofra entupimento e não funcione mais caso seja necessário reiniciar algum tratamento.
 

Meu cateter será detectado por algum sistema de segurança?
A maioria dos modelos de cateter disponíveis hoje no mercado é fabricada em um tipo de plástico e pequena quantidade de metal que geralmente não é detectado em sistemas de segurança ou alarmes.
 

Qual a duração do cateter totalmente implantado?
De 1000 a 2000 punções, dependendo do modelo, calibre das agulhas para punção e cuidados da equipe de enfermagem oncológica responsável pelas punções e manutenções.
 

Como é a retirada do cateter?
Após liberação do seu médico, você passará por procedimento cirúrgico semelhante ao da implante, através de anestesia local e sedação.