Câncer do Fígado

Definição
O fígado é a maior glândula que possuímos e o segundo mais órgão do corpo. Seu peso aproximado é cerca de 1,3-1,5 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher. Dentre as suas diversas funções, podemos citar a produção de bile, produção de colesterol, metabolização de algumas toxinas que entram no organismo, produção de protéinas que participam da coagulação, Uma vez que o fígado é composto por vários tipos diferentes de células, vários tipos de tumores podem crescer no órgão. 


O câncer de fígado pode ter origem nos hepatócitos (células capazes de sintetizar proteínas), nos ductos biliares (estruturas tubulosas longas que carregam a bile) ou nos vasos sanguíneos. Essas células estão no fígado e podem iniciar o câncer, único ou com múltiplos nódulos, em sua superfície ou dentro do órgão. Hepatocarcinoma é a forma mais comum de câncer do fígado em adultos e tem origem nos hepatócitos, correspondendo a cerca de 90% dos casos. É, atualmente, o quinto câncer mais comum em homens e o oitavo em mulheres. Deve-se diferenciar os tumores do fígado como primários (aqueles que realmente se originam no fígado) e aqueles secundários ou metastáticos, que são a ampla maioria dos tumores de fígado, que serão abordados em outra seção (Metástases Hepáticas) 

Sinais e Sintomas
Pacientes muitas vezes não apresentem sintomas até que o câncer hapático esteja em seu estágio mais avançado, por isso raramente é encontrado em fases iniciais. Com o crescimento do tumor, alguns pacientes podem sofrer sintomas como dor abaixo das costelas à direita, pele e olhos amarelados e distensão abdominal. Adicionalmente, pode aparecer uma massa e uma rede de varizes na pele do abdômen. Pode haver também a perda de apetite, fadiga, náuseas, infecções de repetição, urina escurecida e fezes claras. Alguns pacientes poderão evoluir com ruptura espontânea do tumor, caracterizada por dor súbita no hipocôndrio direito de forte intensidade, seguida de choque hipovolêmico por sangramento intra-abdominal. 

Causas

O principal fator de risco para o desenvolvimento do hepatocarcinoma é a cirrose hepática que tem inúmeras causas, sendo as principais o alcoolismo e a infecção pelo vírus da hepatite B e C. A exposição à aflatoxina (toxina de fungos encontrados em amendoim, milho e mandioca mal conservados) também é causa conhecida, além de doenças raras como a hemocromatose e a deficiência de α-1 antitripsina e tirosinemia,. O uso de esteróides anabolizantes também aumenta o risco do câncer hepático. 

 

Prevenção
Como prevenção, deve-se evitar a infecção por hepatites (utilizando vacinação, controle transfusional, transmissão vertical e preservativos), assim como diminuir o consumo de bebidas alcoólicas e aflatoxinas - denominação dada a um grupo de substâncias tóxicas produzidas por fungos. Adicionalmente, o controle das hepatites pode retardar o surgimento das lesões. Para o rastreamento, a dosagem periódica da AFP no sangue e a realização de Ultrassonografia, Tomografia ou Ressonância, permitem a detecção e início do tratamento precoce. 

Diagnóstico
O diagnóstico do hepatocarcinoma pode ser feito através de exames de imagem, marcadores tumorais (exame de sangue) e anátomo-patológico (biópsia). Como nem sempre há aumento dos marcadores tumorais e a realização de biópsia pode não ser possível (pela deficiência de coagulação da insuficiência hepática, ascite ou por dificuldade de acesso pela localização do tumor) ou recomendável (há risco teórico, por relatos anedóticos, de disseminação do tumor pelo trajeto da agulha), o diagnóstico do hepatocarcinoma pode ser fechado pela presença de exame de imagem com lesão típica e aumento em marcador tumoral ou pela presença de imagem típica em duas modalidades diferentes de exame de imagem. 

A ultrassonografia (ecografia) é um exame simples, barato, não invasivo, facilmente disponível e capaz de avaliar adequadamente o fígado em todo o seu volume. É considerado o exame de imagem de escolha para o fígado para avaliações periódicas de rotina, sendo capaz de detectar lesões pequenas. Infelizmente, a ultrassonografia é limitada porque em fígados muito reduzidos e com nódulos de regeneração (comum em portadores de cirrose alcoólica avançada), diferenciar um nódulo potencialmente maligno de um fígado repleto de nódulos benignos é muito difícil. Os exames de tomografia computadorizada e de ressonância nuclear magnética são capazes de detectar lesões pouco menores e diferenciar com maior segurança nódulos malignos de nódulos benignos de regeneração. 
 

Tratamento
O diagnóstico de hepatocarcinoma geralmente está associado à cirrose hepática (em cerca de 80% dos casos) induzida por diferentes causas e em diferentes fases de evolução, sendo responsável por 15% das mortes por insuficiência hepática. O estágio do tumor associado à determinação da função hepática de pacientes com cirrose e sua evolução é o passo inicial fundamental que definirá a estratégia do tratamento para o hepatocarcinoma. Atualmente, as únicas opções de tratamento que podem curar os pacientes são o transplante hepático e a cirurgia. Tratamentos alternarivos como a radioablação (espécie de destruição do tumor por uma agulha que conduz calor) podem ser consideradas curativas em pacientes selecionados (lesão única < 3 cm), embora seus resultados sejam considerados inferiores aos da cirurgia. Esta técnica é, portanto, reservadas a pacientes sem condições clínicas para cirurgia. Pode realizada durante a cirurgia aberta ou percutênea (através da pele com ultrassom). 
 

Para transplante hepático devem ser considerados todos os pacientes com cirrose hepática e em condições clínicas compatíveis com doença restrita ao fígado e com alguns critérios. Conforme o Critério de Milão, pacientes com lesão única < 5 cm ou até 3 lesões de até 3 cm são os melhores candidatos. É evidente que a seleção de pacientes quanto ao risco de recorrência e risco de morbidade/mortalidade com o procedimento é fundamental para otimizar o uso dos poucos órgãos disponíveis, sendo a aplicação do sistema MELD importantíssima nessa estratégia. Recentemente foi incorporado no Brasil o sistema MELD para priorização de pacientes na fila de espera para um órgão de doador morto. Como a fila de transplante é longa, as estratégias para controle temporário da doença hepática devem ser consideradas. Favorecemos, nessa situação, ablação por radiofrequência, alcoolização ou quimioembolização. A idade é fator limitante para transplante hepático, que deve ser restrito a pacientes com boa condição física e idade inferior a 70 anos. Nos raros casos de hepatocarcinoma em fígado não cirrótico, a ressecção cirúrgica é a melhor opção curativa. 

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